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Carnaval 2005 – Sábado de manhã: Recife

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Crônicas | 13/02/2005 às 23:16

Para compensar o curto tempo para atualizar este flog e contar as resenhas do inesquecível carnaval pernambucano, posto dessa vez trechos adaptados do livro “Viaje na Viagem”, de Ricardo Freire. Nada como falar de ventilador escondido no armário da lavanderia, de Vaca Louca e Zé Buceta com balde d’água na cabeça, né? Mas, agora fique com um pouco do meu “Sábado de manhã, em Recife” (pronuncia-se Ricifi).

Tradicionalmente, o Galo da Madrugada é o primeiro grande evento do carnaval brasileiro. Por mais que alguns lugares (incluindo o próprio Recife) tentem antecipar o início dos trabalhos, o certo é que o país só entra em estado de carnaval depois que assiste na TV à mesma tomada aérea de sempre: o centro da cidade invadido por mais de um milhão de pessoas, e uma voz familiar ao fundo dizendo “Fernando José, do Recife, para o Jornal Hoje”.

O que aquela gente toda está fazendo nesse formigueiro? Pulando carnaval? Não: entrando no Guinness. Todos os anos, a população inteira do Recife comparece pessoalmente e ainda leva os vizinhos, com o objetivo expresso de quebrar o recorde de público do Galo anterior. “O maior bloco de carnaval do mundo”, proclamam os jornais.

Coco no Frevo

Se alguém pedir minha opinião, no entanto, vou dizer que a graça de sair no Galo não está em ajudar a engordar as estatísticas. O genial do Galo da Madrugada é fazer você acordar cedo para pular carnaval. Tomar café pensando em carnaval. Ver gente fantasiada na rua às oito da manhã. Encontrar sua turma às 8 e meia. E, o mais imprescindível de tudo: chegar antes das 10 e pegar o comecinho do desfile.

Quem pega o Galo no início, ainda no bairro de São José – muito antes de haver quórum que justifique um boletim ao vivo do helicóptero da Globo – encontra o bem mais raro do carnaval: espaço para pular. Como eu vim a descobrir nesses quatro dias, pular carnaval no Brasil é muito parecido com sair de Recife para Caicó num carro com seis pessoas e em cada posto da PRFederal passar correndo. Mas o começo do Galo é uma exceção: você ainda tem seu espaçozinho para brincar, e mesmo para tentar aprender um ou outro passo do frevo.

Lá pelo meio-dia, quando a sua seção do Galo entra na rua da Concórdia, ocorre um fenômeno curioso: o seu protetor solar perde o efeito, desponta a primeira bolha dentro da sua Havaiana, e você tem a nítida sensação de que o desodorante de todo mundo à sua volta venceu. Daí você tenta enxugar o suor de uma sobrancelha, e só então percebe que sua mão direita está imobilizada ao redor de uma latinha que não contém mais cerveja, mas que serve de amortecedor entre o seu peito e as costas de uma camiseta amarela onde se lê a palavra ROMÁRIO. Nesse momento você desconfia que chegou a hora de desistir de entrar no Guinness e resolve voltar ao apartamento, porque o carnaval é uma criança e à tarde ainda tem Olinda.


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Comentários

  1. Que coisa linda!! li todo o texto com um sorriso estampado no rosto. Você conseguiu expressar direitinho o sentimento de todos os Pernambucamos com relação ao GALO DA MADRUGADA e por não dizer tb com o carnaval. É exatamente isso meu lindo o propósito de tudo. E pra ser sincera pqp para o Guinness o que importa mesmo é a diversão e o sentimento do qual vc relata perfeitamente bem na ultima estrofe do texto.

    Você é ótimo
    xero grande

    Responder

    GravatarIsaac Ribeiro respondeu dia 22 de fevereiro de 2011 às 23:15:

    Putz! Que comentário. :p Obrigado pelas palavras.

    Beijo,

    Isaac Ribeiro

    Responder

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