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O povo tem o governo que merece(?) (ou o circo está na cidade)

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos | 07/10/2008 às 22:47

Quando escutei este ditado pela primeira vez relutei em acreditar e o deixei adormecido sem dar muita importância. Mas hoje, quando as urnas foram abertas, este título veio à tona como uma realidade implacável, comparável ao surpreendente e inédito resultado das eleições municipais em Natal.

Assistimos perplexos, numa mesma noite enquanto as urnas se revelavam, à resposta popular ao apelo de um produto da mídia de um lado e do outro, à rejeição pautada no preconceito e na intolerância, ao melhor estilo reacionário.

O pleito foi definido, assim como o resultado das apurações, rapidamente, no primeiro turno, fato nunca visto. Vimos também seis, dentre treze vereadores indiciados por corrupção, quero dizer: de ter recebido dinheiro do sindicato da construção civil para votar contra o plano diretor, ou seja, contra a cidade e todos nós, com o patrocínio do Sinduscon (ou seria o Sindicato do Crime?), serem reeleitos para nos representar por mais quatro anos. É “impactante”, mas entre os envolvidos está o vereador Dickson Nasser, Presidente da Câmara (ou seria o chefe da quadrilha?). Os outros vereadores que darão continuidade na formação do quadro parlamentar (ou seria na formação de quadrilha?) são os Excelentíssimos Senhores: Adenúbio Melo, Emilsom Medeiros, Adão Eridan (ou seria L’Adrão Eridan?), Aquino Neto e Júlio Protásio (ou seria o astuto mascote da quadrilha?). E, já ao final da noite, uma estrela cadente cruzou todo o céu da cidade e apagou-se lenta e silenciosamente, mas não se tinha mais forças ou esperanças para lembrar que, quando isto acontece, fazemos um pedido. Acredito que, para muitos, esta foi uma longa, triste e “insoniante” noite que anunciará dias de muitas incertezas.

Mas nem tudo é desolação! Deu na TV que a partir de 1° de janeiro o “Gran Circo Populesco” estreará na cidade, “respeitável público…” anuncia Micarla, herdeira da TV (ou seria do “Gran Circo” da família Souza?)… o Gran Circo em breve se apresentará na sua cidade, e será armado com a mega estrutura da Destaque Produções, empresa do Vice Prefeito Paulinho Freire (ou seria o eterno folião dos muitos Carnatais que virão?) e pra completar: o palhaço. É, circo sem palhaço não tem graça. Mas não é o Facilita. Quem dera! Chama-se Paulo Wagner, ele mesmo, que usava sempre o mesmo apelo para sua fiel platéia: “meu povo, me ajude!” (ou seria um slogan de campanha?). E o palhaço o que é? E a platéia respondeu: Vereador!!! Ajudaram até demais. Foram 14.444 votos e resultou no Vereador mais votado. Pronto! Está completo o circo populesco.

Mas para ser um circo de verdade está faltando alguma coisa: a platéia, claro! (ou seria o povo de Natal?).

E quais seriam os projetos políticos para melhorar a vida da população? (ou seria a política de pão e circo?).

Tudo isso nos dá uma leve impressão de que regredimos espetacularmente ao ponto de relembrarmos as arenas de Roma (ou seria algo parecido com Carnatal?), onde os gladiadores (ou seria aquela multidão de excluídos se digladiando para segurar as cordas dos blocos e garantir a diversão dos eternos foliões?) se matavam para entreter e fazer o povo esquecer que não tem acesso a trabalho, à saúde e a uma vida digna, enquanto os senhores romanos se deleitavam atirando pão ao povo (ou seria latinhas de cerveja disputadas a tapas?) de suas tribunas de honra (ou seria dos camarotes da Destaque?).

Agora sim, temos um espetáculo completo. Não deixa a desejar a nenhum circo desses “fuleiros” com a lona furada, uma cabra adestrada como atração principal e o palhaço que arranca gargalhadas da molecada pendurada nos poleiros, que vão todos os dias para rir com as mesmas palhaçadas. Isso porque o “circo fuleiro” logo em breve vai desmontar a lona e vai pra outra cidade.

A diferença do Gran Circo Populesco para o “circo fuleiro” é que essa platéia (ou seria o povo?) vai assistir aos grandes espetáculos (“quem quer dinheiro?”… “aqui é Carnatal o ano inteiro”) e às presepadas dos palhaços (ou seriam os políticos sem a menor graça?) por quatro longos anos.

Pra encurtar a conversa, já que só vamos poder mudar o roteiro desta história daqui a quatro anos, vale a pena lembrar que o voto é livre. Isso ninguém pode negar. Mesmo quando se trata de uma “ditadura democrática” (ou seria uma ditadura “midiocrática”?). Todavia, o ingresso do circo tem um valor imensurável (ou seria aquele voto que custou R$ 15,00?) e ninguém garante que o espetáculo renderá boas gargalhadas (Bravo! Bravo!).

No entanto, só vamos saber disso ao final de um espetáculo longo e cheio de piadas repetitivas e de palhaços com suas mesmas trapalhadas por mais quatro anos.

Mas isso é uma outra história, que poderá ser recontada por você desde já.

João Candido, cidadão de Natal (ou morador de uma cidade que não merece o governo que tem)

Este texto só pôde ser escrito porque na madrugada do dia 06 de outubro, logo após o resultado das eleições municipais, não consegui dormir pensando no pesadelo do retrocesso que será para todos nós, cidadãos natalenses, a partir de 1º de janeiro, quando a intrépida trupe estreará com suas novas trapalhadas.

Se você, assim como eu, ainda não se conformou com o resultado das eleições, envie este texto para todos os seus amigos.

Vamos acompanhar de perto esses elementos de alta periculosidade e ver o que vai ser da operação impacto.


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