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Tribunal de guerra para Bush

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos, Política | 23/12/2008 às 3:36

Rogério Marques – Jornalista

Parece que foi Millôr Fernandes que uma vez disse: “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Se não foi ele não importa, mas a frase é boa. Significa dizer: você, jornalista, precisa ter olhar crítico para não comer gato por lebre. Como formadores de opinião, se comemos gato por lebre fazemos com que o leitor/ouvinte/telespectador também coma, com todas as conseqüências daí resultantes.

Digo isso depois de ler alguns jornais e percorrer alguns sites de notícias no domingo 21/12. A semana inteira ficou-se discutindo se o jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi agiu corretamente ou não ao arremessar seus sapatos no Bush. Mas nesses últimos dias da era Bush o que a imprensa e o mundo deveriam estar discutindo era se o presidente americano deveria ser julgado por um tribunal internacional contra crimes de guerra, em vez de botar o pijama e gozar sua aposentadoria.

Fala-se em 100 mil civis mortos no Iraque, país invadido e destruído por ordem de Bush, com base numa mentira já comprovada. Mentira que, tudo indica, escondia interesses econômicos. Centenas desses mortos eram crianças e idosos. O número de civis mutilados e com a vida familiar destruída pela guerra é imenso. Um país foi arrasado e levará décadas para se reerguer.

E o tribunal internacional da ONU que julga crimes de guerra? Por que até agora não se pronunciou sobre as atrocidades de Bush e sua turma contra o povo iraquiano? Bush é réu confesso. Já admitiu que os motivos alegados para a invasão e destruição do Iraque eram falsos. Por que, então, não julgá-lo, como o militar de Ruanda que acaba de ser condenado à prisão perpétua? Ou como os criminosos de guerra da antiga Iugoslávia? Por que os articulistas da imprensa não falam nisso? Por que não se levantam e se estimula esta discussão?

A exceção — a menos que eu esteja enganado — ficou por conta de Luiz Fernando Veríssimo, com o artigo “A razão cínica”. Diz ele, sobre Bush: “Não há nada parecido com um tribunal por crimes de guerra no seu futuro, ou no de Cheney, Rumsfeld e os outros”. Quando Veríssimo falou em cinismo me veio à mente a comemoração do Dia de Ação de Graças, no final de novembro último. Para mostrar sua “magnanimidade”, Bush salvou da morte, na véspera, dois perus em vez de um, como manda a tradição. O fato foi noticiado na nossa imprensa, com fotos do risonho presidente brincando com as aves. No entanto, durante todo o mês de novembro 538 civis foram mortos e 530 ficaram feridos, segundo a agência de notícias iraquiana Aswat al-Iraque. As mesmas editorias internacionais que noticiaram o gesto de Bush salvando perus estamparam fotos do horror no Iraque, ao longo do mês. A bola estava no ar, quicando. A ligação entre os dois fatos era quase obrigatória, mas nada. Em vez disso, destaca-se em manchetes que Bush está defendendo os direitos humanos… no Zimbabwe. Patético!

Parece que existe no mundo uma máquina de moldar opiniões. Essa máquina determina que, por ter sido levado ao cargo de presidente através de eleição, Bush não pode nem merece, além do julgamento das urnas, ser julgado pela carnificina que vem patrocinando. E até formadores de opinião acabam acreditando nisso.

Como cidadão, quero fazer o possível para buscar a punição de Bush. Vou procurar os partidos políticos, entidades de defesa dos direitos humanos, vou me juntar a colegas e amigos que também não aceitam essa impunidade. Como jornalista, vou tentar publicar minha opinião em jornais e em sites que discutem o jornalismo.

Quanto ao gesto do jornalista Muntazer al-Zaidi, é revoltante ver um colega preso e espancado por seus próprios patrícios porque respondeu com sapatadas às bombas despejadas sobre seu país. Por não aceitar que o carrasco de seu povo, cinicamente, ousasse visitar a terra que destruiu. Em vez de se passar uma semana discutindo se Muntazer está certo ou errado, vamos defender o julgamento do criminoso George W. Bush no tribunal internacional da ONU para crimes de guerra.

Fonte: Comunique-se


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