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Exponho aqui um pouco daquilo que tem a ver com a minha produção diária. Cada publicação, uma novidade: poesias, notícias, pensamentos, reportagens…

No corpo, na alma e no coração Rss

Golpista hondurenho desmente mídia brasileira

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos | 04/10/2009 às 16:00

Vinícius Wu*

Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)

Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)

A declaração de ontem do autodenominado presidente interino de Honduras, o golpista Roberto Micheletti, ao jornal argentino “Clarin”, desmoraliza a cobertura da “crise em Honduras” realizada por alguns dos principais órgãos de imprensa do Brasil. Foi o próprio golpista hondurenho quem declarou: “Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Chavez, Correa e Evo Morales”. Segundo Micheletti, o presidente eleito, Manuel Zelaya, preocupou as autoridades hondurenhas, pois “se tornou esquerdista” e convidou “comunistas” para seu governo. Estes foram os motivos do golpe segundo seu principal artífice.

A esmagadora maioria das matérias veiculadas nos jornais impressos e telejornais brasileiros iniciam ou terminam seus textos com ressalvas do tipo: “o presidente deposto, Manuel Zelaya, que pretendia alterar a Constituição para se manter no poder” ou “Manuel Zelaya deposto após tentar aprovar sua reeleição”. A informação, repetida mil vezes por aqui, era que Zelaya queria aprovar sua reeleição, contrariando a constituição, e, por isso, havia sido derrubado. Esqueceram-se, apenas, de combinar o discurso com o golpista Micheletti. Continue lendo este tópico »

Bullying não é brincadeira

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos | 20/09/2009 às 12:20

Luana Ferreira – Repórter

Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)

Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)

Joana tinha 13 anos e era uma das mais quietas e bem comportadas da turma. Era novata na escola, mas já colecionava alguns bons amigos. Brincava mas também queria namorar, como todas as garotas da sua idade, e pensava no futuro: queria ser médica ou advogada.

Vez por outra, algo atrapalhava a sua rotina de adolescente: por causa de uma deficiência na perna e nos lábios – consequência de um parto a fórceps mal conduzido, percebia no fundo da sala de aula dedos apontados para ela, risadas suspeitas, palavras cochichadas.

Com o tempo, os apelidos ficaram mais claros, mais frequentes e ela identificou a origem: Rafael, também novato, também bem comportado. A professora pedia silêncio. Joana resolveu protestar, levou o caso para a diretoria e ficou acertada uma conversa com os pais dos dois.

Mas a medida teve efeito contrário, os xingamentos ficaram mais insistentes até o ponto em que ela não conseguiu mais suportar. Armada de uma faca que trouxera de casa, conseguiu golpear Rafael pelas costas. Depois empalideceu, ficou muda e só conseguiu emitir uma frase na presença dos policiais: “Eu queria matá-lo”.

A história foi inspirada livremente no caso ocorrido semana passada em um colégio público do Alecrim, em Natal, e que chamou atenção da sociedade para um tipo de violência tão silenciosa quanto perigosa: o bullying. Continue lendo este tópico »

Ninguém tem o dever de se auto-incriminar

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos, Direito | 11/08/2009 às 15:43

Luiz Fernando Boller – Juiz diretor do Foro de Tubarão (SC)

“Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas: detenção, de seis meses a um ano, ou multa.” (art. 305, da Lei nº 9.503, de 23/09/1997 – Código de Trânsito Brasileiro). Referido delito é denominado de fuga à responsabilidade. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica, de 1969), em seu artigo 8º, declara: “(…) Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo, a declarar contra si mesmo, ou seja, a auto-incriminar-se”.

A responsabilidade civil ou criminal do indivíduo que causa um acidente de trânsito não depende de sua não evasão do local. O fim da norma incriminadora em pauta é perfeitamente alcançável através da aplicação da lei civil (que atribua ao agente responsabilidade pela reparação dos danos que tiver causado) e da lei penal (que descreva como crime a conduta praticada pelo agente envolvido no acidente de trânsito), sem que seja necessária a incriminação da fuga do local. Continue lendo este tópico »

Consumo, logo existo

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos | 22/07/2009 às 6:11

"As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social."

"As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social."

Leitor assíduo do portal Adital, li, em 2006, o artigo “Consumo, logo existo”, de Frei Beto, pelo qual o escritor fala sobre o nosso valor e nossos valores na chamada sociedade de consumo. Esse ótimo texto recebi recentemente por emeio e não menos atualizado aproveito para compartilhar com você.

Frei Beto*
22/09/2006

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. “Quem trouxe a fome foi a geladeira”, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. Continue lendo este tópico »

A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos | 09/07/2009 às 16:48

Idelber Avelar

Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)

Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)

Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes. Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987, foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do banco e procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal. Continue lendo este tópico »

Golpe em Honduras: Nossas flores podem vencer esses canhões

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos, Política | 29/06/2009 às 22:00

No domingo, simpatizantes do governo tentaram bloquear as ruas para impedir que veículos militares chegassem à casa do presidente constitucional Zelaya (Foto: Reuters)

No domingo, simpatizantes do governo tentaram bloquear as ruas para impedir que veículos militares chegassem à casa do presidente constitucional Zelaya (Foto: Reuters)

Para vários amigos e amigas, imagino ser esta a primeira vez em que se vê tão perto de um golpe de Estado. O sequestro e deposição do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, refletem uma realidade nunca distante dos países latino-americanos. Mais uma vez, a democracia só é válida quando atende aos interesses dos ricos, das grandes empresas de comunicação e do comando das forças armadas. Quando não, basta colocar desenhos animados na programação da TV e encher as ruas com tanques e fuzis. Registre-se: “a única rádio que ainda transmitia informações em Honduras foi tirada do ar esta noite”.

No século XXI, este é o segundo golpe de estado na América Latina, tendo sido o primeiro, em 2002, frustrado pelo povo da Venezuela. Naquela ocasião, todo o mérito pelo restabelecimento da democracia venezuelana deveu-se aos bolivarianos, pois quase nenhum apoio lhes fora dado.

Desta vez, apesar de existir uma série de países governados pela esquerda fazendo forte pressão internacional e, consequentemente, desqualificando a investida político-militar da direita hondurenha, é impossível dizer que o golpe não se consolidará. Portanto, precisamos exigir, a nosso modo, a restituição da ordem constitucional naquele país e, sobretudo, devemos ficar vigilantes aos desdobramentos desse acontecimento e enxergá-lo em um contexto internacional, porque os golpistas, seja em Honduras ou no Irã, no Brasil ou na Bolívia, em Cuba ou no Uruguai, na Argentina ou no Paraguai, no Chile ou no Equador, “não são autodidatas”, isto é, não agem por si.

Enfim, trago abaixo um breve retrospecto sobre Honduras e recomendo os sítios www.vermelho.org.br, www.cartamaior.com.br e www.outroladodanoticia.com.br, os quais têm feito boa cobertura. Ademais, neste blogue poderás encontrar outros textos selecionados.

Saudações estudantis. Continue lendo este tópico »

Fidel diz que golpistas de Honduras não têm “salvação”

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos, Política | 29/06/2009 às 17:29

O líder cubano Fidel Castro, de chapéu, ao lado do presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, em foto tirada em 4 de março (Foto: Reuters)

O líder cubano Fidel Castro, de chapéu, ao lado do presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, em foto tirada em 4 de março (Foto: Reuters)

Em um texto publicado por volta da meia-noite, na página oficial Cuba Debate, Fidel recomendou não ceder nenhum milímetro ante os militares e setores da oposição que apoiaram o golpe contra Zelaya. “Com esse alto comando golpista não se pode negociar, é preciso exigir sua renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo “do povo, pelo povo, para o povo” em Honduras”, escreveu.

“Os golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível”, acrescentou. Fidel Castro recorda em seu texto que os golpistas não contam com o respaldo dos Estados Unidos, que apoiou muitos golpes de Estado na América Central durante a guerra fria.

“Até a senhora (Secretária de Estado dos EUA, Hillary) Clinton declarou já em horas da tarde que Zelaya é o único presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos”, escreveu.

Irmão de Fidel, o presidente cubano Raúl Castro condenou no domingo o golpe contra Zelaya, qualificando-o de brutal. “A época das ditaduras militares na América Latina já passou”, havia dito mais cedo o chanceler cubano Bruno Rodríguez.

Zelaya foi levado à força para a Costa Rica, após ter sido sacado da residência presidencial por militares.

Confira a íntegra do artigo:

Um erro suicida – Reflexões do companheiro Fidel Continue lendo este tópico »