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	<title>No corpo, na alma e no coração &#187; Artigos</title>
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	<description>Isaac Newton Ribeiro de Araújo</description>
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		<title>Que tipo de país você quer para seu filho?</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 10:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enquanto eles sabem perfeitamente que não há uma disputa pessoal entre Dilma Rousseff e José Serra, mas sim que estão em jogo projetos de Brasil com diferenças centrais, nós ficamos discutindo sobre as suposições sórdidas, caluniosas e difamatórias orquestradas pela extrema direita, nazistas e fascistas agora representados pela candidatura Serra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Isaac Newton Ribeiro de Araújo (*)</p>
<p>Quando digo que estão em jogo projetos de Brasil com diferenças centrais e alerto para o fato de não podermos decidir simplesmente por Serra contra Dilma e vice-versa, como se fosse uma disputa entre duas pessoas, tenho muitas razões, entre elas a que venho expor aqui.</p>
<p>Foi comprovado o envolvimento da candidatura Serra com integralistas, nazifascistas, exatamente quem está financiando a divulgação de calúnias, injúrias e difamações contra a candidatura Dilma, inclusive utilizando ilegalmente o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em milhões de panfletos apócrifos que vêm sendo distribuídos em igrejas e em todas as comunidades pobres do país.</p>
<p>Percebam, meus amigos, a que ponto chegaram. Utilizam a palavra de Deus para, mentindo, incitar o ódio, o preconceito, a desunião entre iguais. Sabia que a Polícia Federal apreendeu em uma gráfica paulista dois milhões de panfletos supostamente assinados pela seção Regional Sul 1 da CNBB? Sabia que o pedido inicial objetivava imprimir 50 milhões desse mesmo material, sujo, ilegal, escabroso, para, aproveitando-se da boa-fé do fies, declarar voto ao candidato José Serra? Pois é! Nem o Pai, o Filho e o Espírito Santo eles respeitam.</p>
<p>Não menos lamentável do que esse desafio à força de Deus, foi descobrir que os panfletos apreendidos foram impressos a pedido de Kelmon Luis da S. Souza, presidente da Associação Theotokos (<a href="http://www.theotokianos.org.br" rel="nofollow" target="_blank">www.theotokianos.org.br</a>), cujo site está em nome da Casa de Plínio Salgado (<a href="http://www.pliniosalgado.org.br" rel="nofollow" target="_blank">www.pliniosalgado.org.br</a>), centro integralista, nazifascista. <span id="more-1650"></span></p>
<p>Por sua vez, destrinchando o caminho de um dos e-mails caluniosos contra Dilma Rousseff, o jornalista Tony Chastinet (Prêmio Vladimir Herzog em 2007) fez um levantamento minucioso e descobriu que a mensagem partiu do domínio <a href="http://www.tribunanacional.com.br" rel="nofollow" target="_blank">www.tribunanacional.com.br</a>, uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema-direita, registrado em nome do Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares, mantido sob a responsabilidade de Nei Mohn. Sabem quem é esse &#8220;cidadão&#8221;, meus amigos? Pasmem!</p>
<p>&#8220;Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da &#8216;Juventude Nazista&#8217; em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornal e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos.&#8221; Pois é! Perguntas pairam no ar: Por que a extrema direita, nazistas e fascistas querem José Serra Presidente do Brasil? Por que a extrema direita, nazistas e fascistas financiam a candidatura do PSDB?</p>
<p>Meus amigos, não quero dizer que o neoliberal José Serra seja nazifascista como o são seus apoiadores, mas, não tenham dúvida, quando a extrema direita, nazistas e fascistas resolvem patrocinar a sua candidatura à presidência da república eles têm consciência plena do que mais se aproxima, contribui, facilita ou está alinhado com os seus ideais de nação, seus objetivos de poder historicamente conhecidos.</p>
<p>Essa é uma das grandes questões, meus amigos. Enquanto eles sabem perfeitamente que não há uma disputa pessoal entre Dilma Rousseff e José Serra, mas sim que estão em jogo projetos de Brasil com diferenças centrais, nós ficamos discutindo se Dilma é contra o aborto, se José Dirceu assumirá um ministério, se Collor será seu conselheiro, se Dilma é terrorista, assaltante e assassina &#8211; afirmações que nem os militares fizeram na ditadura contra a qual ela orgulha-se de ter lutado -, se Dilma é contra o casamento religioso entre homossexuais, se Dilma proibirá cultos e evangelização nas ruas, se Michel Temer é satanista, se Dilma pode entrar nos Estados Unidos, se Dilma ganhava milhões como conselheira da Petrobras, se Dilma vai implantar o regime de Fidel no Brasil, se Dilma acabará com a liberdade de expressão e de imprensa &#8211; ora, a imprensa nunca teve tanta liberdade nesse país; Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, chegou à indecência de escrever um livro intitulado &#8220;Lula é Minha Anta&#8221; -, se Dilma não é brasileira, se Dilma teve seu registro de candidatura cassado pelo TSE, se Dilma não possui diploma universitário, se Dilma estudou em escola de rico, se Dilma tem experiência, se Dilma tirou foto ao lado de um fuzil, se Dilma disse que nem Jesus Cristo impediria a sua vitória, se Dilma é lésbica, se Dilma mudará a cor da bandeira do Brasil e a letra do hino nacional, se Dilma fechará as igrejas &#8211; diziam que Lula faria o mesmo -, entre tantas outras suposições sórdidas, caluniosas e difamatórias orquestradas pela extrema direita, nazistas e fascistas agora representados pela candidatura Serra.</p>
<p>Enfim, faço minhas as palavras de Chico Buarque: &#8220;Você não pode escolher se seu filho será menino ou menina. Não pode escolher sua altura nem a cor de seus olhos&#8230; muito menos o que ele vai ser quando crescer. Mas uma coisa você pode escolher, que tipo de país você quer pra ele&#8221;.</p>
<p class="autordataoriginal">(*) Isaac Newton Ribeiro de Araújo é acadêmico de Direito na Universidade Potiguar e de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte</p>
<p><strong>Esclarecimento (01):</strong> O endereço <a href="http://www.pliniosalgado.org.br" rel="nofollow" target="_blank">www.pliniosalgado.org.br</a> está congelado (fora do ar) desde o dia 18 de outubro de 2010 por não ter sido efetuado o pagamento da renovação do domínio. Entretanto, há vasto conteúdo sobre a ideologia de Plínio Salgado na internet.</p>
<p><strong>Esclarecimento (02):</strong> O endereço <a href="http://www.tribunanacional.com.br" rel="nofollow" target="_blank">www.tribunanacional.com.br</a> exibe a mensagem &#8220;Acesso negado&#8221; desde o dia 14 de outubro de 2010, logo após denúncia.</p>
<p><strong>Registro de Domínios para a Internet no Brasil:</strong></p>
<p>Domínio: <a href="https://registro.br/cgi-bin/whois/?qr=theotokianos.org.br" rel="nofollow" target="_blank">www.theotokianos.org.br</a><br />
Entidade: Casa de Plínio Salgado<br />
Documento: 000.689.887/0001-77<br />
Responsável: Pedro B. de Carvalho</p>
<p>Domínio: <a href="https://registro.br/cgi-bin/whois/?qr=pliniosalgado.org.br" rel="nofollow" target="_blank">www.pliniosalgado.org.br</a><br />
Entidade: Casa de Plínio Salgado<br />
Documento: 000.689.887/0001-77<br />
Responsável: Pedro B. de Carvalho</p>
<p>Domínio: <a href="https://registro.br/cgi-bin/whois/?qr=tribunanacional.com.br" rel="nofollow" target="_blank">www.tribunanacional.com.br</a><br />
Entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares<br />
Documento: 026.990.366/0001-49<br />
Responsável: Nei Möhn (**)</p>
<p>(**) Revista Veja de 1980: <a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf</a></p>
<p>(**) Revista ISTOÉ de 1982: <a href="http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf" target="_blank">http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf</a></p>
<p><strong>Outras informações:</strong> <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/boateiro-tem-nome-e-sobrenome-email-contra-dilma-partiu-de-gente-ligada-a-extrema-direita.html" target="_blank">Boateiro tem nome: caminhos da calúnia, por Rodrigo Vianna</a>; e <a href="http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/10/17/videos-como-a-igreja-catolica-de-guarulhos-ia-dar-o-golpe-do-panfleto/" target="_blank">Vídeos: como a Igreja Católica de Guarulhos ia dar o Golpe do panfleto, por Paulo Henrique Amorim</a>.</p>
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		<title>Manuela d&#8217;Ávila: Uma análise inicial sobre o debate da Band</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 22:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dilma usou o espaço mais nobre da eleição, a televisão, para desconstruir a campanha baixíssima feita contra ela.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1629" class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><a title="Candidatos durante o primeiro debate do segundo turno das Eleições 2010, nos estúdios da TV Bandeirantes (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena)" rel="lightbox" href="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/debateband.jpg" target="_blank"><img class="size-thumbnail wp-image-1629 " title="Candidatos durante o primeiro debate do segundo turno das Eleições 2010, nos estúdios da TV Bandeirantes (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena)" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/debateband-250x169.jpg" alt="Candidatos durante o primeiro debate do segundo turno das Eleições 2010, nos estúdios da TV Bandeirantes (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena)" width="250" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">Candidatos durante o primeiro debate do segundo turno das Eleições 2010, nos estúdios da TV Bandeirantes (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena)</p></div>
<p>Quero escrever algumas linhas sobre o que assisti no debate de ontem. Alguns exclamarão: &#8220;como assim?!? Ela já tem candidata! É óbvio que concordará com o que Dilma disse.&#8221; A esses respondo: me sinto com o mesmo direito de análise que tem, por exemplo, o jornal Estadão (a diferença é que eles declararam o voto em Serra após 60 dias de cobertura pretensamente neutra. Eu sou Dilma desde que ela é candidata).</p>
<p>Esse formato de debate não abre tanto espaço para a discussão de propostas concretas. São feitos para o enfrentamento de projetos. Talvez por isso não sejam muitos os votos disputados em debates. Alguns especialistas afirmam que os candidatos participam com dois objetivos centrais: o primeiro é condensar a base de apoio, dar argumentos para quem já decidiu o voto; o segundo é não perder votos. Eu incluiria outros: responder dúvidas legítimas dos eleitores; desconstruir determinadas imagens e opiniões.</p>
<p>Ontem gostei da participação de minha candidata no debate. Primeiro porque usou o espaço mais nobre da eleição, a televisão, para desconstruir a campanha baixíssima feita contra ela. <span id="more-1627"></span></p>
<p>Quando Dilma teve coragem de pautar o tema do aborto, tirou o tema do submundo da eleição (cartazes e panfletos anônimos, montagens de internet etc.) e o teve a possibilidade de esclarecer aos cidadãos. Afinal, o uso que determinados setores tem feito desse tema é assustador. Primeiro porque ela e Serra têm exatamente a mesma opinião. A lei atual, de 1940, deve ser cumprida, garantindo que o SUS dê segurança para mulheres que correm risco de vida na gravidez ou que sejam vítimas de estupro. Mesmo que ambos tivessem outra opinião, deveriam submeter na forma de projeto de lei, ao Congresso Nacional. Por que fazem essa campanha, então? Porque esse tema desperta paixões nas pessoas. E as paixões estão localizadas fora da racionalidade. As pessoas ouvem e nem questionam: qual a posição do outro? Isso é possível? Também usam porque sabe que, por Dilma ser mulher, isso &#8220;pega&#8221;. Homens, a princípio, por não terem útero, não são chamados a refletir sobre o aborto. Ou seja, também é uma pauta que surge para aproveitar os traços culturais ainda machistas de setores da sociedade.</p>
<p>Mesmo no ambiente de confronto (que não é o ideal para propostas serem apresentadas) Dilma conseguiu politizar o debate. Ao insistir no tema das privatizações trouxe à tona mais do que o governo Fernando Henrique (escondido por Serra). Fez com que diferenças centrais entre dois projetos aparecessem. Muitos cidadãos afirmam na época das eleições: &#8220;todos os programas são iguais! Todo mundo diz que vai melhorar a saúde, a educação, a segurança.&#8221;</p>
<p>Sim. Isso é, em parte, verdade. Na TV muitos programas partidários podem soar parecidos. Mas na essência são muito distintos. As privatizações são &#8220;a cara&#8221; dessas diferenças. &#8220;Por quê?&#8221;, alguns podem perguntar. Porque expressam o tipo de Brasil que queremos. De todos ou de poucos. Público ou privado. Serra diz que esse é um tema do passado. Não é verdade. Foi também um tema do passado. Aliás, eu mesma comecei a fazer política para combater o processo de privatização da universidade pública. Mas este tema não está superado. Vejamos o Pré-sal.</p>
<p>Nós defendemos que esse dinheiro deve ser a alavanca para o desenvolvimento de nosso país de maneira estruturante. Custear a educação, pesquisas científicas, por exemplo. Se o petróleo acaba, devemos transformar esse dinheiro em coisas que não acabam, ou seja, na melhoria da capacitação de nosso povo! Isso é futuro. É decisão do próximo presidente. A turma do Serra defende a privatização da exploração dessa riqueza natural brasileira. Dilma, que foi Secretária e Ministra de Minas e Energia defende que o recurso do Pré-sal é público.</p>
<p>Aliás, o tamanho político de cada candidatura foi resumido de maneira brilhante pelo Senador Sergio Guerra (Presidente do PSDB). Disse ele: &#8220;Aborto é tema de interesse nacional, privatização é tema do PT&#8221;.</p>
<p>Por que digo que ele foi brilhante? Porque de fato, apesar de Dilma e Serra terem a mesma opinião sobre o aborto, os tucanos tentam fazer desse tema (de forma passional e machista) o tema da campanha. Não querem comparar os governos, não querem dizer o que pensam sobre o Estado Nacional e o patrimônio público. Não querem assumir compromissos com a destinação dos recursos do Pré-sal. Ele entregou a estratégia da campanha deles! Não debater política, projeto. Por fim gostaria de comentar outro detalhe, não menos importante, do que assisti ontem na televisão e acompanhei pelas redes sociais, como o twitter.</p>
<p>A caracterização que Serra tentou pendurar em Dilma. Qualquer palavra dita, ele a caracterizava de &#8220;agressiva&#8221;. Isso também é parte da estratégia de debates. Repetir algo muitas vezes para que as pessoas passem a refletir sobre o assunto. Mas quando algo é artificial é fácil ser identificado. E ele deixou claro isso. Dilma perguntou: &#8220;qual a garantia de que o senhor vai manter os programas sociais do governo Lula?&#8221;. Devo confessar que nem entendi porque ela levantou a bola para ele. Eu apenas responderia: &#8220;a garantia é a minha palavra&#8221;, qualquer coisa dessa natureza. Ele não respondeu (provavelmente porque não queira assumir compromissos com essas políticas) e ainda me saiu com a seguinte frase: &#8220;Estou impressionado com o nível de agressividade da Dilma&#8221;.</p>
<p>Qual agressividade nessa pergunta? Nenhuma. O que Serra tentou fazer, mais uma vez, foi usar o machismo de setores de nossa sociedade contra Dilma. Nossa cultura avançou muito. Prova disso é que mais de 60% do eleitorado brasileiro votou nas duas mulheres para presidente da República. Mas conheço bem esse tipo de adjetivação. Mulheres são adjetivadas na política. Homens muito menos. Lembro quando conquistamos meu mandato de vereadora.</p>
<p>Na mesma eleição um jovem homem elegeu-se. O locutor do rádio dizia: &#8220;quem está entrando é aquela jovem bonitinha&#8221;. Quanto ao homem afirmava: &#8220;é um jovem competente com origem no movimento estudantil&#8221;. Casualmente militávamos na mesma universidade. Eu na oposição, ele na situação. Eu havia feito mais votos. Mas era a bonitinha. Cada vez que subimos na tribuna indignadas somos tachadas de histéricas. Eles são convictos e ficam perplexos. Nós temos a vida pessoal vasculhada (somos &#8220;sapatonas&#8221;, como li ontem no twitter sobre Dilma; mantemos relações sexuais com alguém para chegar onde chegamos&#8230;). Eles? Bem, ninguém tem nada com a vida pessoal, devemos nos preocupar com a vida pública.</p>
<p>Nós mulheres, em todos os espaços, estamos acostumadas a enfrentar isso. As mulheres políticas não sofrem nem mais, nem menos do que outras milhares de mulheres. Mas ao chamar, de maneira repetitiva e descontextualizada, Dilma de &#8220;agressiva&#8221;, Serra usou essa velha tática. Velha tática que nossa sociedade tenta superar. Sei que muitos gostariam de outro tipo de debate. Por isso, acho que os melhores são aqueles com temas a serem enfrentados pelos candidatos (um bloco para educação, outro para desenvolvimento, outro para trabalho e renda). Às vezes, cidadãos e cidadãs são chamados a perguntas. Noutras vezes os jornalistas cumprem esse papel. Mas isso não torna o debate de ontem menos importante.</p>
<p>Não podemos cair no papo de que o debate, por ter esse nível de enfrentamento, não serviu para nada. Serviu sim. Para confrontarmos elementos do projeto de País, para trazermos questões ao debate, para vermos o baixo nível que alguns chegam. Se a gente vai atrás do que cada um já fez na vida pública, se debatermos o currículo da Dilma e do Serra (o Currículo inteiro, não apenas quantas vezes concorreram eleições, mas onde cada um esteve e que posição teve em cada momento decisivo da história e do presente do Brasil), se a gente faz esse exercício, procura, busca, pesquisa, vai entender exatamente porque Dilma é mais preparada.</p>
<p>Não apenas para os debates. Ela é mais preparada para governar o Brasil. Porque representa a superação de velhas táticas políticas, representa um projeto, não esconde posições, não esconde erros e acertos do Governo do presidente Lula.</p>
<p>Não fomos perfeitos. Evidente que não. Mas começamos uma bela caminhada de transformações no Brasil. E os avanços só podem ser feitos por quem acredita nesse caminho. Caminho de soberania, de direitos, de educação. Caminho de combate à miséria e à desigualdade. Caminho da solidariedade e de sonhos. De superações. De igualdade entre homens e mulheres. Caminho do amor. E não do ódio.</p>
<p class="autordataoriginal">*Manuela d&#8217;Ávila é jornalista e deputada federal pelo PCdoB/RS</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br" target="_blank">Vermelho</a></p>
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		<title>Marcos Coimbra: A &#8220;última hora&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 23:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi faz análise sobre a disputa presidencial na última semana de campanha.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Marcos Coimbra &#8211; Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi</p>
<div id="attachment_1585" class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><img src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/marcoscoimbra-250x175.jpg" alt="Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi (Foto: Kátia Lombardi/Folha Imagem)" title="Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi (Foto: Kátia Lombardi/Folha Imagem)" width="250" height="175" class="size-thumbnail wp-image-1585" /><p class="wp-caption-text">Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi (Foto: Kátia Lombardi/Folha Imagem)</p></div>
<p>Neste domingo, a apenas uma semana da eleição presidencial, temos uma parte menor do sistema político, uma parte importante (mas minoritária) da sociedade e a maioria da &#8220;grande imprensa&#8221; em torcida animada para que a &#8220;última hora&#8221; faça com que os prognósticos a respeito de seu resultado não se confirmem.</p>
<p>É natural que todos os candidatos, salvo Dilma, queiram que alguma reviravolta aconteça. Os três partidos que dão apoio a Serra, o PV de Marina Silva, os pequenos partidos de esquerda, todos torcem pelo &#8220;fato novo&#8221;, a &#8220;bala de prata&#8221;, algo que a golpeie. Do outro lado, a ampla coligação que Lula montou para sustentar sua candidata (e que formará, ao que tudo indica, a maioria do próximo Congresso) espera que nada altere o quadro.</p>
<p>Hoje, Dilma lidera em todas as regiões do país, jogando por terra as análises que imaginavam que as eleições consagrariam um fosso entre o Brasil &#8220;moderno&#8221; e o &#8220;atrasado&#8221;. Era o que supunham aqueles que leram, sem maior profundidade, as pesquisas, e acreditavam que Serra sairia vitorioso no Sul e no Sudeste, ficando com Dilma o voto do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste. Não é isso que estamos vendo.</p>
<p>Ela deve vencer em todos os estados, em alguns com três vezes mais votos que a soma dos adversários. Vence na cidade de São Paulo, na sua região metropolitana e no interior do estado. Lidera o voto das capitais, das cidades médias e das pequenas. É a preferida dos eleitores que residem em áreas rurais. <span id="more-1584"></span></p>
<p>As pesquisas dão a Dilma vantagem em todos os segmentos socioeconômicos relevantes. É a preferida de mulheres e homens (sepultando bobagens como as que ouvimos sobre as dificuldades que teria para conquistar o voto feminino), de jovens e velhos, de negros e brancos. Está na frente entre católicos, evangélicos, espíritas e praticantes de religiões afro-brasileiras.</p>
<p>Vence entre pobres, na classe média e entre os ricos (embora fique atrás de Serra entre os muito ricos). Lidera entre beneficiários do Bolsa Família e entre quem não recebe qualquer benefício do governo. Analfabetos e pessoas que estudaram, do primário à universidade, votam majoritariamente nela.</p>
<p>É claro que sua candidatura não é uma unanimidade. Existe uma parcela da sociedade que não gosta dela e de Lula, que nunca votou e que nunca votará em alguém do PT. São pessoas que até toleram o presidente, que podem achar que é esperto e espirituoso, que conseguem admirar aspectos de seu governo. Mas que querem que Dilma perca.</p>
<p>Se, então, Dilma reúne ampla maioria no eleitorado e apoios majoritários no sistema político, o que seria a &#8220;última hora&#8221;? O que falta acontecer, de hoje a domingo?</p>
<p>Formular a pergunta equivale a considerar que o eleitorado ainda não sabe o que vai fazer, que aguarda a véspera para se decidir. Que &#8220;tudo pode mudar&#8221;.</p>
<p>É curioso, mas quem mais acredita que os outros são volúveis são os mais cheios de certezas, os mais orgulhosos de suas convicções. Mas acham que o cidadão comum (o &#8220;povão&#8221;) é diferente, que é incapaz de chegar com calma a uma decisão pensada e madura.</p>
<p>É fato que sempre existe uma parcela do eleitorado que permanece indecisa até o final. Já vimos, em eleições anteriores, que ela pode oscilar, saindo de uma candidatura e indo para outras. Conforme o caso, sua movimentação pode provocar resultados inesperados, como ocorreu com o segundo turno em 2006.</p>
<p>Mas aquelas eleições também mostram como acontecem esses fenômenos de &#8220;última hora&#8221;. Nelas, a única coisa que um quase uníssono da &#8220;grande imprensa&#8221; contra a candidatura Lula conseguiu fazer foi assustar os eleitores mais frágeis, com baixa informação e baixo interesse por política. Os dados indicam que os eleitores mais informados e com alto e médio interesse em nada foram afetados pela artilharia da mídia (assim como os sem nenhum, que nem ficaram sabendo que havia &#8220;aloprados&#8221;).</p>
<p>Ou seja: aquela gritaria só fez com que as pessoas mais inseguras a respeito de suas escolhas ficassem confusas, ainda que apenas por alguns dias. Mal começou a campanha do segundo turno, Lula reassumiu as rédeas da eleição e avançou sem problemas até a consagração no final de outubro. É como o título daquela comédia: &#8220;Muito barulho por nada&#8221;.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br" target="_blank">Vermelho</a></p>
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		<title>Redação escrita por mim no Concurso CAERN 2010</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 22:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A prova pedia a elaboração de um texto dissertativo "discutindo como é possível oferecer água potável a todos os povos do planeta".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O comando da prova de redação apresentava uma história do dia <em>22 de março &#8211; Dia Internacional da Água</em>, disponível em <a href="http://meninomaluquinho.educacional.com.br", target="_blank">meninomaluquinho.educacional.com.br</a>, e pedia a elaboração de &#8220;um texto dissertativo, usando entre 25 e 30 linhas, discutindo como é possível oferecer água potável a todos os povos do planeta&#8221;. Segue abaixo a minha produção:</p>
<p>A baixa disponibilidade de água potável já é um problema de proporção global. Nos diferentes continentes, países ricos e pobres carecem desse recurso indispensável à sobrevivência da humanidade e ao planeta. Nesse sentido, as medidas a serem tomadas para solucionar essa questão devem necessariamente envolver o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil.</p>
<p>Pode parecer contraditório, mas todos sabemos que o mundo dispõe de muita água, quantidade suficiente para não ser motivo de preocupação. Ocorre, entretanto, que por não valorizarem devidamente, as indústrias muitas despejam resíduos químicos em rios e afins, as populações jogam lixo em córregos, além de exagerarem no seu consumo, e o Estado, por sua vez, não exerce rigorosamente seu papel fiscalizador, a fim de coibir abusos, nem universaliza o saneamento básico. <span id="more-1410"></span></p>
<p>No Rio Grande do Norte, em particular, embora ainda exista muito trabalho pela frente, o Governo do Estado e a CAERN têm contribuído sistematicamente para a melhoria desse cenário. Em Natal, por exemplo, está em fase final a construção da Unidade de Tratamento do Baldo, a qual permitirá redução significativa do volume de esgoto despejado diretamente, sem nenhum tipo de cuidado, no Rio Potengi. Outrossim, numa ação em parceria com o Governo Federal e a Prefeitura do Natal, a área saneada da Capital aumentou consideravelmente nos últimos anos.</p>
<p>Enfim, é preciso trabalho, vontade política, consciência e compromisso com a vida. São imprescindíveis investimentos em tecnologias que permitam a dessalinização da água e que possibilitem o seu reuso. Bem assim, é necessário apostar maciçamente em campanhas para o uso racional dessa riqueza. E tudo isso é urgente. O planeta pede pressa!</p>
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		<title>Golpista hondurenho desmente mídia brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 19:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segundo Micheletti, o presidente eleito, Manuel Zelaya, preocupou as autoridades hondurenhas, pois "se tornou esquerdista" e convidou "comunistas" para seu governo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Vinícius Wu*</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><a title="Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)" rel="lightbox" href="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/honduraszelaya.jpg"><img title="Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/honduraszelaya.jpg" alt="Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)" width="250" height="170" /></a><p class="wp-caption-text">Presidente constitucional de Honduras, José Manuel Zelaya (Foto: AFP)</p></div>
<p>A declaração de ontem do autodenominado presidente interino de Honduras, o golpista Roberto Micheletti, ao jornal argentino &#8220;Clarin&#8221;, desmoraliza a cobertura da &#8220;crise em Honduras&#8221; realizada por alguns dos principais órgãos de imprensa do Brasil. Foi o próprio golpista hondurenho quem declarou: &#8220;Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Chavez, Correa e Evo Morales&#8221;. Segundo Micheletti, o presidente eleito, Manuel Zelaya, preocupou as autoridades hondurenhas, pois &#8220;se tornou esquerdista&#8221; e convidou &#8220;comunistas&#8221; para seu governo. Estes foram os motivos do golpe segundo seu principal artífice.</p>
<p>A esmagadora maioria das matérias veiculadas nos jornais impressos e telejornais brasileiros iniciam ou terminam seus textos com ressalvas do tipo: &#8220;o presidente deposto, Manuel Zelaya, que pretendia alterar a Constituição para se manter no poder&#8221; ou &#8220;Manuel Zelaya deposto após tentar aprovar sua reeleição&#8221;. A informação, repetida mil vezes por aqui, era que Zelaya queria aprovar sua reeleição, contrariando a constituição, e, por isso, havia sido derrubado. Esqueceram-se, apenas, de combinar o discurso com o golpista Micheletti. <span id="more-731"></span></p>
<p>Muita gente bem intencionada preferiu reproduzir o mantra oficial, ao invés de proceder a averiguação dos fatos. Digna exceção foi o experiente jornalista Mauro Santayana que nos alertou, em artigo publicado no Jornal do Brasil, para o fato de que Zelaya não propunha a aprovação de sua reeleição, mas sim uma consulta à população sobre reforma constitucional. Ainda que tivesse em seus planos aprovar a reeleição naquele país, já não haveria tempo de o próprio Zelaya beneficiar-se da mesma. O artigo de Santayana está disponível em <a href="http://www.cut.org.br/content/view/16873/170/" target="_blank">http://www.cut.org.br/content/view/16873/170/</a>.</p>
<p>Desde o início da &#8220;crise em Honduras&#8221;, a cobertura da mídia brasileira procura omitir informações e distorcer fatos com o claro objetivo de relativizar o golpe naquele país. A começar pelo sutil eufemismo com que os jornais anunciam suas matérias. As &#8220;cartolas&#8221; dos grandes jornais (aquele titulozinho que fica acima das matérias) falam de &#8220;crise em Honduras&#8221;, quando deveriam estampar &#8220;golpe em Honduras&#8221;, pois é disto que se trata.</p>
<p>Os ataques à posição do governo brasileiro frente ao golpe buscam disfarçar a evidente concordância de parte dos escribas da direita brasileira com os golpistas. Frente a um presidente que pretende &#8220;perpetuar-se&#8221; no poder, o recurso ao golpe de Estado é algo perfeitamente válido para alguns articulistas da grande imprensa. Naturalmente, o mesmo ardil não seria válido nos casos de Álvaro Uribe, que tenta aprovar, este sim, sua própria reeleição, ou do próprio FHC, que o fez com apoio da grande mídia.</p>
<p>A relação instrumental de parte da grande mídia com a democracia é algo, no mínimo, preocupante. Em um país recentemente governado por um regime de exceção &#8211; que ainda caminha para uma efetiva reconciliação com seu passado &#8211; a complacência de órgãos de imprensa com um golpe de estado não pode ser aceita passivamente pelas forças democráticas. Ainda mais se somarmos este fato à postura da grande mídia frente ao tema da punição dos torturadores do regime militar. O que está em jogo é o futuro da questão democrática no Brasil. E, infelizmente, não há grandes indícios de que a democracia e o respeito à soberania do voto popular sejam temas universais em nosso país.</p>
<p class="autordataoriginal">Vinícius Wu é assessor especial do Ministro da Justiça</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.leituraglobal.com/" target="_blank">Leitura Global</a></p>
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		<title>Bullying não é brincadeira</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 15:20:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Luana Ferreira &#8211; Repórter</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><a title="Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)" rel="lightbox" href="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/criancabullying.jpg"><img class="  " title="Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/criancabullying.jpg" alt="Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)" width="250" height="380" /></a><p class="wp-caption-text">Risadinhas de mau gosto, apelidos, cochichos, xingamentos podem provocar danos irreparáveis pelo resto da vida (Foto: Arquivo/Nominuto.com)</p></div>
<p>Joana tinha 13 anos e era uma das mais quietas e bem comportadas da turma. Era novata na escola, mas já colecionava alguns bons amigos. Brincava mas também queria namorar, como todas as garotas da sua idade, e pensava no futuro: queria ser médica ou advogada.</p>
<p>Vez por outra, algo atrapalhava a sua rotina de adolescente: por causa de uma deficiência na perna e nos lábios &#8211; consequência de um parto a fórceps mal conduzido, percebia no fundo da sala de aula dedos apontados para ela, risadas suspeitas, palavras cochichadas.</p>
<p>Com o tempo, os apelidos ficaram mais claros, mais frequentes e ela identificou a origem: Rafael, também novato, também bem comportado. A professora pedia silêncio. Joana resolveu protestar, levou o caso para a diretoria e ficou acertada uma conversa com os pais dos dois.</p>
<p>Mas a medida teve efeito contrário, os xingamentos ficaram mais insistentes até o ponto em que ela não conseguiu mais suportar. Armada de uma faca que trouxera de casa, conseguiu golpear Rafael pelas costas. Depois empalideceu, ficou muda e só conseguiu emitir uma frase na presença dos policiais: &#8220;Eu queria matá-lo&#8221;.</p>
<p>A história foi inspirada livremente no caso ocorrido semana passada em um colégio público do Alecrim, em Natal, e que chamou atenção da sociedade para um tipo de violência tão silenciosa quanto perigosa: o bullying. <span id="more-634"></span></p>
<p>&#8220;O bullying se trata de agressão constante com características predominantemente psicológicas, mas que também pode se expressar como violência física, comum no ambiente escolar&#8221;, explica o psicólogo e doutor em educação, Herculano Campos.</p>
<p>Ele já orientou trabalhos sobre bullying &#8211; que ainda não ganhou tradução para o português (sic) &#8211; em escolas particulares de Natal e percebeu que o assunto é praticamente desconhecido pelo corpo pedagógico. &#8220;Eles em geral não sabem nem do que se trata. Nenhuma escola tem trabalho sistematizado&#8221;.</p>
<p>Nada a ver com a frequência dos casos dentro da sala de aula. O delegado Júlio Costa, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator, é procurado diariamente por pais que querem prestar queixas de bullying e garante que esse é o tipo mais comum de violência nessa faixa etária.</p>
<p>As formas da agressão mais comuns são xingamentos, apelidos, isolamento, fofoca, ameaças e exposição ao ridículo. As razões são as mais diversas e tolas possíveis: é porque o sujeito usa óculos, ou é muito preto, ou muito branco, ou gordo, ou muito magro&#8230; &#8220;Ali se estabelece uma relação de poder, em que um colega quer mostrar que pode dominar o outro&#8221;, explica Herculano Campos.</p>
<p>Nos meninos &#8211; onde o bullying é mais frequente &#8211; a violência pode vir associada à agressão física e roubo de dinheiro e lanche, por exemplo. Na sexta-feira (11), o delegado registrou a ocorrência de um menino que recebia sistematicamente soco nas costas, chute nas pernas, tapa no rosto, entre outras agressões.</p>
<p>&#8220;As escolas também devem ser responsabilizadas. Às vezes os próprios professores participam do bullying&#8221;, denunciou Júlio Costa, citando uma diretora que pediu a presença da Polícia Militar, definitivamente, nas escolas. &#8220;É a prova de que o sistema educacional está falido&#8221;.</p>
<p>Há também os casos de cyberbullying, em que o agressor cria página na internet com o objetivo de prejudicar moralmente o colega. Recentemente, o delegado iniciou um processo que culminou com a retirada de uma comunidade do Orkut em que a criadora e mais 26 &#8220;amigos&#8221; se divertiam difamando uma colega.</p>
<p>Para que seja caracterizado o bullying, é preciso que o indivíduo sofra com as investidas dos outros. &#8220;Na brincadeira, todos curtem, inclusive o objeto da brincadeira&#8221;, explica o psicólogo.</p>
<p>A decisão de esfaquear alguém é rara. Geralmente, as vítimas reagem de maneira silenciosa, com desânimo, queda no aprendizado, vontade de mudar de escola, depressão e até suicídio. &#8220;É complicado você lidar com a agressão psicológica exatamente pelo fato de ela não aparecer, de ser velada&#8221;.</p>
<p>De acordo com o delegado, os agressores aparecem em famílias desestruturadas, com relação afetiva conflituosa e onde os pais não oferecem limites às crianças. Muitas vezes eles repetem um comportamento que aprenderam em casa.</p>
<p>O psicólogo lista três estratégias que devem ser tomadas pelos educadores em caso bullying: não minimizar o problema, identificar o tipo de sofrimento do aluno e estabelecer um protocolo de enfrentamento do problema.</p>
<p>Outra medida que ajudaria no combate à violência seria enquadrá-la como crime. &#8220;Nossas leis só veem o ato em si, e não a reação de quem é agredido. Por isso, apelido não é crime&#8221;.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.nominuto.com">Nominuto.com</a></p>
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		<title>Ninguém tem o dever de se auto-incriminar</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 18:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas: detenção, de seis meses a um ano, ou multa." O referido delito é denominado de fuga à responsabilidade, mas a Convenção Americana sobre Direitos Humanos declara: "(...) Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Luiz Fernando Boller &#8211; Juiz diretor do Foro de Tubarão (SC)</p>
<p>&#8220;Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas: detenção, de seis meses a um ano, ou multa.&#8221; (art. 305, da Lei nº 9.503, de 23/09/1997 &#8211; Código de Trânsito Brasileiro). Referido delito é denominado de fuga à responsabilidade. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica, de 1969), em seu artigo 8º, declara: &#8220;(&#8230;) Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo, a declarar contra si mesmo, ou seja, a auto-incriminar-se&#8221;.</p>
<p>A responsabilidade civil ou criminal do indivíduo que causa um acidente de trânsito não depende de sua não evasão do local. O fim da norma incriminadora em pauta é perfeitamente alcançável através da aplicação da lei civil (que atribua ao agente responsabilidade pela reparação dos danos que tiver causado) e da lei penal (que descreva como crime a conduta praticada pelo agente envolvido no acidente de trânsito), sem que seja necessária a incriminação da fuga do local. <span id="more-593"></span>O bem jurídico protegido é alcançável pela simples aplicação destas outras normas, que tornam o agente civil ou criminalmente responsável.</p>
<p>No mesmo sentido, Damásio E. de Jesus ensina: &#8220;A lei pode exigir que, no campo penal, o sujeito faça prova contra ele mesmo, permanecendo no local do acidente?&#8221;. Como diz Ariosvaldo de Campos Pires, &#8220;a proposição incriminadora é constitucionalmente duvidosa&#8221; (Parecer sobre o Projeto de Lei 73/94, que instituiu o CTB, oferecido ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Brasília, 23/07/1996).</p>
<p>Cometido um homicídio doloso, o sujeito não tem a obrigação de permanecer no local. Como exigir essa conduta num crime de trânsito? De observar o artigo 8º, II, g, do Pacto de São José: ninguém tem o dever de auto-incriminar-se. Penso que o referido tipo penal é inconstitucional, porquanto contraria o princípio pelo qual ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, não sendo razoável, a meu sentir, impor a alguém que permaneça no local do crime para se auto-acusar e, por conseguinte, sofrer as consequências penais e civis do ato que provocou.</p>
<p>Diz Guilherme de Souza Nucci sobre o artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro: &#8220;Trata-se do delito de fuga à responsabilidade, que, em nosso entendimento, é inconstitucional. Contraria, frontalmente, o princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo &#8211; <em>nemo tenetur se detegere</em>. Inexiste razão plausível para obrigar alguém a se auto-acusar, permanecendo no lugar do crime, para sofrer as consequências penais e civis do que provocou. Qualquer agente criminoso pode fugir à responsabilidade, exceto o autor de delito de trânsito. Logo, cremos inaplicável o artigo 305 da Lei 9.503/97&#8243; (in Leis Penais e Processuais Penais Comentadas, editora Revista dos Tribunais, 2006, p. 848).</p>
<p>No mesmo sentido leciona Luiz Flávio Gomes, para quem: &#8220;Que todos temos a obrigação moral de ficar no local do acidente que provocamos não existe a menor dúvida. Mas a questão é a seguinte: pode uma obrigação moral converter-se em obrigação penal? De outro lado, sendo legítima a exigência de ficar no local, por que impor essa obrigação apenas em relação aos delitos de trânsito, sabendo-se que o homicida doloso, o estuprador, etc. não contam com obrigação semelhante? Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo, a declarar contra si mesmo, ou seja, a auto incriminar-se (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 8). O dispositivo em questão resulta numa espécie de auto-incriminação. De outra parte, ninguém está sujeito a prisão por obrigações civis (ressalvando-se as duas hipóteses constitucionais: alimentos e depositário infiel). No art. 305 do CTB está contemplada uma hipótese de prisão (em abstrato) por causa de uma responsabilidade civil. Pelas razões invocadas, em suma, há séria dúvida sobre a constitucionalidade do preceito legal em debate&#8221; (in Estudos de Direito Penal e Processo Penal, Editora Revista dos Tribunais, 1ª edição &#8211; 2ª tiragem, 1999, páginas 46 e 47).</p>
<p>Assim, entendo que o referido tipo incriminador (art. 305 do CTB) ofende o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição Federal, e também o princípio da proporcionalidade previsto na mesma Carta Magna, no artigo 5º, caput. Aliás, recentemente o Pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, acolhendo <a href="http://www.tjmg.gov.br/juridico/jt_/inteiro_teor.jsp?tipoTribunal=1&#038;comrCodigo=372&#038;ano=4&#038;txt_processo=8035&#038;complemento=1" target="_blank">incidente</a>, já <a href="http://www.tjmg.jus.br/juridico/jt_/inteiro_teor.jsp?tipoTribunal=1&#038;comrCodigo=0000&#038;ano=7&#038;txt_processo=456021&#038;complemento=000&#038;sequencial=&#038;pg=0&#038;resultPagina=10&#038;palavrasConsulta=" target="_blank">declarou a inconstitucionalidade</a> do artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro. Assim, o delito de fuga à responsabilidade é, pois, inconstitucional, visto que ofende o princípio de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.conjur.com.br" target="_blank">Consultor Jurídico</a></p>
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		<title>Consumo, logo existo</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 09:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Leitor assíduo do portal Adital, li, em 2006, o artigo "Consumo, logo existo", de Frei Beto, pelo qual o escritor fala sobre o nosso valor e nossos valores na chamada sociedade de consumo. Esse ótimo texto recebi recentemente por emeio e não menos atualizado aproveito para compartilhar com você.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><a title="&quot;As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.&quot;" rel="lightbox" href="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/consumismo.jpg"><img class="  " title="&quot;As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.&quot;" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/consumismo.jpg" alt="&quot;As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.&quot;" width="250" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.&quot;</p></div>
<p>Leitor assíduo do portal Adital, li, em 2006, o artigo &#8220;Consumo, logo existo&#8221;, de Frei Beto, pelo qual o escritor fala sobre o nosso valor e nossos valores na chamada sociedade de consumo. Esse ótimo texto recebi recentemente por emeio e não menos atualizado aproveito para compartilhar com você.</p>
<p class="autordataoriginal">Frei Beto*<br />
22/09/2006</p>
<p>Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. &#8220;Quem trouxe a fome foi a geladeira&#8221;, disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.</p>
<p>É próprio do humano &#8211; e nisso também nos diferenciamos dos animais &#8211; manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. <span id="more-581"></span></p>
<p>A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.</p>
<p>Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos &#8220;Manuscritos econômicos e filosóficos&#8221; (1844), ele constata que &#8220;o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós.&#8221; O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.</p>
<p>Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma joia?</p>
<p>Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela…</p>
<p>Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.</p>
<p>Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.</p>
<p>Comércio deriva de &#8220;com mercê&#8221;, com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.</p>
<p>Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. &#8220;Nada poderia ser maior que a sedução&#8221; &#8211; diz Jean Baudrillard &#8211; &#8220;nem mesmo a ordem que a destrói.&#8221; E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.</p>
<p>Vou com frequência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. &#8220;Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático&#8221;, respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: &#8220;Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz&#8221;.</p>
<p class="autordataoriginal">*Frei dominicano. Escritor.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.adital.com.br" target="_blank">Adital</a></p>
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		<title>A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 19:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalista]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[sentença]]></category>

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		<description><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios e tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares. Há 17 anos, os representantes da família Marinho no Pará (O Liberal) perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, um dos donos do Grupo Liberal já emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar. Agora, um juiz do Pará condenou Lúcio Flávio a pagar 30 mil reais aos irmãos Maiorana. O artigo é de Idelber Avelar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="autordataoriginal">Idelber Avelar</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><a title="Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)" rel="lightbox" href="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/lucioflaviopinto.jpg"><img title="Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/lucioflaviopinto.jpg" alt="Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)" width="250" height="178" /></a><p class="wp-caption-text">Lúcio Flávio Pinto (Foto publicada na página da SBPC)</p></div>
<p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br" target="_blank">Jornal Pessoal</a>, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes. Lúcio já ganhou <a href="http://novoblogdobarata.blogspot.com/2009/07/imprensa-o-jornal-pessoal-e-seu-editor.html" target"_blank">quatro</a> prêmios Esso. <a href="http://www.igutenberg.org/jj343x1.html" target="_blank" class="broken_link">Recebeu</a> também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d&#8217;Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987, foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do banco e procurador jurídico do maior jornal local, <em>O Liberal</em>. <span id="more-534"></span></p>
<p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento, crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p>
<p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O <a href="http://novoblogdobarata.blogspot.com/2009/07/imprensa-o-artigo-que-originou-sentenca.html" target="_blank">texto</a>, eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando, prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que &#8211; uma vez processado -, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava. A <a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&#038;cod=35252" target="_blank">obra</a> investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=434FDS001" target="_blank">qualidade</a> da <a href="http://www.consciencia.net/2006/0219-lfp-liberal.html" target="_blank">prosa</a> e da <a href="http://professorrusso.blogspot.com/2008/04/mais-um-ataque-do-grupo-liberal.html" target="_blank">pesquisa</a> que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos, entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;<em>O Liberal</em> só se <a href="http://www.ecodebate.com.br/2008/09/26/a-parcialidade-do-jornal-liberal-contra-os-movimentos-sociais-artigo-de-rogerio-almeida/" target="_blank">publica</a> aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p>
<p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana &#8211; representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de <a href="http://novoblogdobarata.blogspot.com/2009/07/imprensa-controvertida-sentenca.html" target="_blank">justificativa</a> do juiz fala do &#8220;bom lucro&#8221; de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar &#8220;qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes&#8221;, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal. O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia &#8220;se envolvido em grave desentendimento&#8221; com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em &#8220;desentendimento&#8221;. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida <a href="http://blogflanar.blogspot.com/2009/07/lucio-flavio-pinto-comenta-sentenca.html" target="_blank">nesse texto</a>.</p>
<p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia &#8211; e suspira de cansaço ao fazer outro <em>post</em> que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.idelberavelar.com" target="_blank">O Biscoito Fino e a Massa</a></p>
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		<title>Golpe em Honduras: Nossas flores podem vencer esses canhões</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 01:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaac Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de estado]]></category>
		<category><![CDATA[golpe militar]]></category>
		<category><![CDATA[Honduras]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Zelaya]]></category>
		<category><![CDATA[século xxi]]></category>

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		<description><![CDATA[Para vários amigos e amigas, imagino ser esta a primeira vez em que se vê tão perto de um golpe de Estado. O sequestro e deposição do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, refletem uma realidade nunca distante dos países latino-americanos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 663px"><img title="No domingo, simpatizantes do governo tentaram bloquear as ruas para impedir que veículos militares chegassem à casa do presidente constitucional Zelaya (Foto: Reuters)" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/hondurasmanifestantes.jpg" alt="No domingo, simpatizantes do governo tentaram bloquear as ruas para impedir que veículos militares chegassem à casa do presidente constitucional Zelaya (Foto: Reuters)" width="653" height="364" /><p class="wp-caption-text">No domingo, simpatizantes do governo tentaram bloquear as ruas para impedir que veículos militares chegassem à casa do presidente constitucional Zelaya (Foto: Reuters)</p></div>
<p>Para vários amigos e amigas, imagino ser esta a primeira vez em que se vê tão perto de um golpe de Estado. O sequestro e deposição do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, refletem uma realidade nunca distante dos países latino-americanos. Mais uma vez, a democracia só é válida quando atende aos interesses dos ricos, das grandes empresas de comunicação e do comando das forças armadas. Quando não, basta colocar desenhos animados na programação da TV e encher as ruas com tanques e fuzis. Registre-se: &#8220;a única rádio que ainda transmitia informações em Honduras foi tirada do ar esta noite&#8221;.</p>
<p>No século XXI, este é o segundo golpe de estado na América Latina, tendo sido o primeiro, em 2002, frustrado pelo povo da Venezuela. Naquela ocasião, todo o mérito pelo restabelecimento da democracia venezuelana deveu-se aos bolivarianos, pois quase nenhum apoio lhes fora dado.</p>
<p>Desta vez, apesar de existir uma série de países governados pela esquerda fazendo forte pressão internacional e, consequentemente, desqualificando a investida político-militar da direita hondurenha, é impossível dizer que o golpe não se consolidará. Portanto, precisamos exigir, a nosso modo, a restituição da ordem constitucional naquele país e, sobretudo, devemos ficar vigilantes aos desdobramentos desse acontecimento e enxergá-lo em um contexto internacional, porque os golpistas, seja em Honduras ou no Irã, no Brasil ou na Bolívia, em Cuba ou no Uruguai, na Argentina ou no Paraguai, no Chile ou no Equador, &#8220;não são autodidatas&#8221;, isto é, não agem por si.</p>
<p>Enfim, trago abaixo um breve retrospecto sobre Honduras e recomendo os sítios <a href="http://www.vermelho.org.br" target="_blank">www.vermelho.org.br</a>, <a href="http://www.cartamaior.com.br" target="_blank">www.cartamaior.com.br</a> e <a href="http://www.outroladodanoticia.com.br" target="_blank">www.outroladodanoticia.com.br</a>, os quais têm feito boa cobertura. Ademais, neste blogue poderás encontrar <a href="http://www.isaacribeiro.com.br/tag/honduras/">outros textos selecionados</a>.</p>
<p>Saudações estudantis. <span id="more-479"></span></p>
<p><strong>Zelaya acusa cúpula militar; Honduras resiste ao golpe</strong></p>
<p><em>O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, falou à imprensa em San José, capital da Costa Rica, horas depois do golpe militar de direita que vitimou seu país. &#8220;A cúpula das Forças Armadas me traiu, me enganou&#8221;, denunciou. Em Honduras, o povo resiste à quartelada, faz manifestações, ergue barricadas diante dos blindados. Não é possível prever se o golpe se consolidará.</em></p>
<p>Zelaya disse confiar que o grosso dos componentes do exército, não concorda com o golpe. Classificou o movimento que o sequestrou nesta madrugada como um &#8220;atropelo da democracia hondurenha&#8221;.</p>
<p>&#8220;Estou em San José da Costa Rica, vítima de sequestro por um grupo de militares hondurenhos. Não creio que o exército hondurenho esteja apoiando esta interrupção do nosso sistema democrático. Isto foi um complô de uma elite que só deseja manter o país isolado e com níveis extremos de pobreza. Eles não se importam com as pessoas, não são sensíveis a isso&#8221;, disse Zelaya durante entrevista à imprensa no Aeroporto Internacional Juan Santamaría, em San José.</p>
<p><strong>Apelo à solidariedade continental</strong></p>
<p>&#8220;Eles invadiram a minha casa com tiros, empurraram-me com uma baioneta, ameaçaram atirar em mim. É um brutal sequestro que me fizeram, sem qualquer motivo exceto nosso desejo de fazer o bem a Honduras, de instalar um processo democrático participativo. Por isso não se pode justificar uma interrupção da democracia&#8221;, insistiu Zelaya.</p>
<p>O presidente especificou que em nenhum momento pediu asilo, ao contrário do que afirmou o portal digital do jornal espanhol El Pais. &#8220;Isto foi um sequestro. Peço aos presidentes das Américas, inclusive o dos Estados Unidos, que se manifestem&#8221;, disse ele.</p>
<p>Zelaya afirmou ainda que, &#8220;se o embaixador dos EUA em Tegucigalpa não está por trás disso, pode negar apoio [aos golpistas] e evitar esse terrível golpe que estão dando em nosso povo e na democracia&#8221;.</p>
<p>O presidente eleito em 2005 foi preso pelos golpistas na madrugada deste domingo (entre as 5 e 6 horas, pelo fuso local), e conduzido à força, com sua família, para uma base da Aeronáutica. Dali um avião o conduziu a San José.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img title="Golpe de Estado em Honduras" src="http://www.isaacribeiro.com.br/wp-content/uploads/images/hondurasilustracoes.jpg" alt="Golpe de Estado em Honduras" width="300" height="809" /><p class="wp-caption-text">Golpe de Estado em Honduras</p></div>
<p><strong>Tegucigalpa esmagada pelos tanques</strong></p>
<p>No dia em que os eleitores hondurenhos deveriam expressar nas urnas a sua vontade sobre um processo constituinte democrático, na consulta proposta por Zelaya, o país se confronta com o oposto da democracia. Há, no entanto, informações de resistência aos golpistas.</p>
<p>Tegucigalpa, a capital do país (1,2 milhão de habitantes na região metropolitana) estava nesta manhã com a energia elétrica cortada, os canais de rádio e TV fora do ar ou tocando música – para que seus habitantes não possam acompanhar as notícias. Tanques e blindados percorriam as ruas, enquanto aviões e helicópteros sobrevoavam a cidade. A residência presidencial foi cercada pelos golpistas. A tropa, simbolicamente, ocupava-se em recolher as urnas onde o povo hondurenho iria manifestar sua vontade.</p>
<p>A ministra de Relações Exteriores, Patricia Rodas, que estava na lista dos que seriam presos pelos gorilas, fez um apelo em favor da &#8220;resistência cívica&#8221; do povo hondurenho. Ela pediu que os populares se concentrassem diante da residência oficial do presidente.</p>
<p>Nas ruas da capital, manifestantes protestavam contra o golpe e desafiavam os blindados militares. Barricadas começaram a ser erguidas. Os cidadãos atenderam ao chamamento de Patrícia e de fato começaram a se concentrar diante da casa presidencial, cercada por 300 militares fortemente armados.</p>
<p>Grande parte da cólera do povo hondurenho volta-se contra a imprensa local, que vinha fazendo abertamente o jogo do golpe. Patrícia responsabilizou pelo golpe &#8220;o grupo econômico que domina os meios de comunicação&#8221;. Quiosques de venda do diário El Heraldo foram atacados por manifestantes.</p>
<p><strong>Mídia no piloto automático</strong></p>
<p>A mídia mercantil continental e brasileira vem cobrindo a quartelada de Tegucigalpa dentro de sua linha editorial partilhada, de rechaço ao processo democrático-mudancista na América Latina e apoio a todos os seus inimigos. Trabalhando no piloto automático, não se apercebe da gravidade antidemocrática do que acontece em Honduras.</p>
<p>Os órgãos de comunicação reproduzem sem espírito crítico a versão dos gorilas golpistas. Dizem que a consulta às urnas era &#8220;polêmica&#8221; (?), ou, pior, &#8220;uma farsa&#8221; (??). E que a deposição violenta do presidente eleito pelo voto popular em 2005 foi &#8220;em cumprimento a uma ordem judicial&#8221; (?!).</p>
<p>O país centro-americano de 7,7 milhões de habitantes e 112 mil km² (mais ou menos o mesmo que Pernambuco) viveu nesta madrugada um golpe militar de direita, típico da América Latina dos anos 60 e 70 do século passado. Em vez da consulta democrática às urnas, que era esperada para este domingo, uma clássica quartelada oligárquica como tantas que a região conheceu no passado.</p>
<p>O grave acontecimento é um teste de fogo para a unidade e a integração latino-americanas. É um teste igualmente para a nova administração da Casa Branca, mais ainda porque Zelaya fez menção a um possível envolvimento da embaixada dos EUA com os golpistas. As reações do presidente Barack Obama estão sendo seguidas passo a passo pela hoje vigilante opinião pública da região.</p>
<p>A pergunta é se Obama será coerente com as promessas que fez na recente cúpula da OEA (Organização dos Estados Americanos) ou se seguirá o mesmo caminho de seu antecessor, George W. Bush, que reconheceu o regime liberticida instalado pelos golpistas venezuelanos de 11 de abril de 2002, sem saber que o golpe fracassaria em menos de 48 horas, e radicalizaria o processo revolucionário na Venezuela. As primeiras declarações do chefe da Casa Branca foram de condenação moderada ao golpe.</p>
<p><strong>Quem é Manuel Zelaya</strong></p>
<p>O presidente Manuel Zelaya Rosales, 57 anos, é filho de uma família abastada de Tegucigalpa e não corresponde precisamente ao figurino dos novos e rebeldes líderes políticos latino-americanos. Elegeu-se presidente em 27 de novembro de 2005 pelo Partido Liberal de Honduras, um dos dois partidos tradicionais do país desde o século XIX.</p>
<p>No entanto, Zelaya elegeu-se em confronto com o Partido Nacional, que concentra as forças oligárquicas mais à direita e agora serve de suporte aos golpistas. Submetido à pressão popular, por exemplo da combativa organização sindical de professores, e sentindo os novos ventos que sopram na América Latina, ele vinha se acercando de uma linha mudancista.</p>
<p>Durante a semana que passou, Zelaya assumiu uma &#8220;corajosa conduta&#8221;, como descreveu o líder cubano Fidel Castro, que o comparou ao mártir chileno Salvador Allende. Face à sabotagem da consulta às urnas pelo Partido Nacional e pela cúpula militar (que têm raízes na mesma oligarquia social), Zelaya uniu-se aos movimentos sociais e foi à unidade militar resgatar as urnas mantidas ali, para assegurar a consulta aos eleitores neste domingo. O medo do voto precipitou a quartelada.</p>
<p>O processo constituinte proposto pelo presidente, que serviu de pretexto para o golpe, é um exemplo. A mídia mercantil o reduz ao eterno dilema dos &#8220;mandatos&#8221;, já que o de Zelaya termina em 2010 e a lei atual não permite a reeleição. No entanto, o que está em pauta é uma refundação democratizante do aparato de Estado do país, do tipo que se efetuou nos últimos anos na Venezuela, Bolívia e Equador. Caso o golpe fracasse, como é possível que aconteça, dada a resistência interna e o isolamento internacional, é bem possível que o processo se radicalize ainda mais.</p>
<p>Fonte: <a href="http://www.vermelho.org.br" target="_blank">Vermelho</a></p>
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