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O melhor da festa
Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Crônicas | 12/12/2008 às 0:03
Marcelo Sguassábia (*)
É esperar por ela. Assim o velho ditado, assim Priscila deitada. Olha pela janela grande do quarto e vê um cinza chumbo empurrando no céu o carneiro de nuvens. Não demora e a chuva vai regar as bostas das vacas lá no morro, que gratas pelo frescor retribuirão com cogumelos a quem quiser colher, chapéus de sol que dariam cores e sons insuspeitos à festa de logo mais. Isso se Priscila fosse de se alucinar. Qualquer uma menos ela, aluna de internato, sem chance, nem vinho de missa conhecia. A uma mulher dessas bastaria uma taça de espumante leve para destravar um vagão de cismas e mágoas. No caso dela a lucidez já era, a seco, a perda do juízo e o delírio extremo. Estava há meses a 220, trêmula. Mas a festa daria jeito nisso. A festa prometia e ela acreditava.
Busca Priscila a si mesma na cama. Não acha. Já tentou o Google? O que o Google não acha, não existe. Se o Google não achou Deus, Deus inexiste. Google talvez seja Deus, sendo Deus uma busca como muitos dizem. Se julga Priscila um mosaico de desenho incerto, definido a esmo, sem traçado prévio. Ao resto do mundo o merecido estrago, todas as maldições juntas do Antigo Testamento. Que a ira divina varresse tudo, poupando apenas deleites pequenos mas insubstituíveis, como tentar adivinhar o que teria de almoço ou espreguiçar em fronhas frescas pra espantar o mormaço. Continue lendo este tópico »















