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O valor das medalhas

Por Isaac Ribeiro | Categoria(s): Artigos, Caderno de Aulas | 19/05/2009 às 0:09

Bandeira do Brasil

A Revista Veja publicou em setembro de 2008, um artigo da escritora Lya Luft, intitulado “O que valem as medalhas?“, através do qual a autora faz uma avaliação do comportamento do público, do clube e da mídia em relação ao desempenho dos nossos atletas. Porém, estando ainda sob o clima do XXIX Jogos Olímpicos de Pequim transcorridos pelo mês de agosto daquele ano, ela me parece tê-lo escrito com a silhueta de Diego Hipólito chorando e pedindo desculpas por não ter conseguido uma tão esperada e merecida medalha olímpica, e por isso, talvez, peque por excessos de emoção, diminuindo a qualidade de seu conteúdo. Consideremos existir uma extrema cobrança sobre os atletas, apesar de atuarem com sacrifícios e dores inimagináveis, mas igualá-los a “gladiadores” e a crítica às “feras”, a meu ver, perpassa os limites da efetividade.

Concordo com Lya que vida de atleta não é fácil. Reconheço ser a de muitos deles resumida “a pouca diversão, pouca vida pessoal, treinamento severo, dieta severa, sofrimento físico e afastamento da família”. Agora, chamar de implacáveis “as exigências dos outros, do público e de si próprios” (sic), soa para mim como destoante. Baseada em que está essa afirmação? Qual exemplo poderia citar para ilustrá-la? Sinceramente, procuro essas respostas e não as encontro.

Encontro, sim, exemplos para sustentar o contrário. O próprio ginasta Diego Hipólito, favorito à medalha de ouro no solo nas Olimpíadas, após injustificável (pois desnecessário) pedido de desculpas, recebeu da nação brasileira o abraço confortante e o reconhecimento de todo o seu histórico de lutas e vitórias. As opiniões estampadas em jornais e revistas, blogues e veiculadas na tevê reproduziram o Brasil, crítico e consciente das limitações do país, como nas palavras da blogueira Patricia Gomes: “Pessoas com história de luta e persistência como você não deveriam sentir essa dor, não deveriam sequer derramar uma lágrima. Qualquer brasileiro que não queira entender esse momento está infelizmente vivendo num mundo a parte, sem o mínimo de reflexões críticas. É um momento para nossos governantes pensarem: Por que com a ida de tanto atleta tivemos um desempenho tão incipiente? É muito legal depois da fama e da vitória apertar a mão e dizer: esse é brasileiro! Mas e os 4, 8, 12, 16 anos anteriores? Onde estava o incentivo para os atletas? Seja feliz Diego. Você não perdeu”.

A explicação para essas indagações Luft sintetizou bem: “Esporte faz parte da educação. Se ela anda em níveis trágicos, dificilmente o esporte brilha. Nossas escolas caem aos pedaços, universidades afundam na mediocridade, estudantes vagam na descrença, pressionados por mentira, farsa, negligência e esquecimento”. Falta, portanto, estrutura aos desportistas brasileiros, contudo, mesmo que almejemos sempre a vitória e, naturalmente, lamentemos qualquer perda, gratidão não lhes falta.

Outro caso digno de citação refere-se ao piloto de Fórmula 1 Felipe Massa. Ele tinha tudo para ser campeão da temporada 2008: a melhor equipe, um bom carro, apoio da torcida e uma técnica apurada. Muitos já reconheciam nele boa parte do esforço e brilhantismo de Ayrton Senna e davam o título como certo, quando na última curva, da última corrida, a realidade se mostrou diferente, ficando a taça nas mãos do britânico Lewis Hamilton. Dessa forma, se fossemos “um público sempre insatisfeito”, Felipe amargaria o gosto de quase ter chegado lá. E sabe o que aconteceu? Em abril deste ano, Massa recebeu o prêmio de melhor esportista de 2008, embora concorresse com ninguém menos que Maurren Maggi, ganhadora do primeiro ouro olímpico de uma mulher em esporte individual pelo Brasil, mostrando ele ter conquistado além das pistas o coração dos brasileiros.

Diego Hipólito e Felipe Massa são apenas dois modelos. Poderia, certamente, enumerar muitos outros. Em vista disso, é incompreensível que “os ‘derrotados’ por não ter o ouro […][devam] se esconder” e que os vitoriosos vivam em constante vigilância para satisfatoriamente cumprir seu papel. Os tempos mudaram e perseverar também é nome para a medalha de maior valor.

Artigo produzido em atividade avaliativa da disciplina de Comunicação e Expressão II no curso de Direito/UnP. O objetivo do trabalho era colocar em prática a teoria acerca do texto dissertativo-argumentativo utilizando-se das estratégias da contra-argumentação.


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